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CIOT 20263 min de leitura

Multas do CIOT 2026: quanto custa não se adequar?

Gabriel
GabrielFundador da Planeti · TI e Compliance para transporte

O custo real da não adequação

Quando empresas avaliam o esforço de adequação ao CIOT 2026, a primeira pergunta é quase sempre a mesma: "quanto custa não fazer?". A resposta, quando colocada em números reais, muda a conversa rapidamente.

A nova regulação introduz um regime de penalidades que pode ser devastador para operações de médio e alto volume. E ao contrário de multas por infração única, o CIOT tem natureza de infração por operação — cada frete sem conformidade é um evento autuável.

O quadro completo de penalidades

Não emissão do CIOT

Contratante que realiza operação com TAC sem emitir o CIOT está sujeito a multa de R$ 550 por operação. Para uma transportadora que move 200 fretes por mês com autônomos, o passivo anual potencial é de R$ 1,32 milhão — sem considerar juros e atualização.

CIOT não vinculado ao MDF-e

A Resolução ANTT 6.077 criou a exigência de vinculação eletrônica obrigatória. Transportes iniciados sem o CIOT vinculado ao MDF-e podem resultar em:

  • Embargo do veículo no posto de fiscalização
  • Multa ao transportador (o motorista/empresa que executou o transporte)
  • Multa ao embarcador que contratou o transporte sem garantir a conformidade

A responsabilidade solidária entre embarcador e transportador é um dos pontos mais importantes: o embarcador não pode se eximir alegando que "a obrigação é do transportador".

Vale-pedágio antecipado não fornecido

A lei já proíbe embutir o vale-pedágio no frete — ele precisa ser fornecido antecipadamente, antes do início da viagem. A multa por descumprimento recai sobre o embarcador e é de R$ 550 por operação.

Pagamento abaixo do piso mínimo de frete

O piso mínimo de frete é atualizado periodicamente pela ANTT. Pagar abaixo do piso configura infração com multa de R$ 1.650 ao embarcador por viagem.

Seguros obrigatórios

As Resoluções CNSP 478 e 488 atualizaram as coberturas mínimas obrigatórias de RCTR-C, RC-DC e RC-V. Transportar sem cobertura adequada não é apenas uma infração regulatória — é um risco existencial para a empresa em caso de sinistro.

A multiplicação do risco

O que torna o CIOT 2026 especialmente crítico é a combinação de violações que podem ocorrer em uma única operação: frete sem CIOT emitido, MDF-e sem vinculação, vale-pedágio embutido no valor. Cada elemento é autuável separadamente.

Uma operação mal documentada pode resultar em três ou quatro infrações simultâneas — com responsabilidade que alcança tanto o embarcador quanto a transportadora.

Responsabilidade durante a fiscalização

A ANTT e as autoridades estaduais de trânsito têm acesso ao SIOP em tempo real. Quando um veículo é parado em posto de fiscalização, é possível verificar instantaneamente se o CIOT foi emitido, se está vinculado ao MDF-e e se os dados batem com a carga.

Isso significa que a irregularidade não precisa ser descoberta por auditoria — ela pode ser identificada na estrada, resultando em embargo imediato da operação.

Adequação como vantagem competitiva

Empresas que se adequam primeiro têm uma vantagem real: embarcadores exigentes — especialmente grandes varejistas, indústrias farmacêuticas e de alimentos — já incluem conformidade regulatória nos critérios de homologação de transportadoras.

Ter processos de CIOT automatizados e auditáveis é um diferencial de venda, não apenas uma obrigação legal.


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