Adequação ao CIOT 2026: o passo a passo para não ser pego de surpresa

A adequação não é um projeto de TI — é uma mudança operacional
Um erro comum que vemos em transportadoras que chegam até nós é tratar a adequação ao CIOT 2026 como um "chamado para o TI". O time técnico vai lá, integra o sistema com o SIOP, e pronto. Na prática, é muito mais amplo do que isso.
A nova regulação toca sistemas, contratos, processos operacionais, treinamento de equipe e, em muitos casos, a relação com clientes embarcadores. Adequar a empresa exige visão de negócio tanto quanto expertise técnica.
Este roteiro cobre as etapas que conduzimos nos projetos de adequação que a Planeti tem realizado no setor.
Etapa 1: Mapeamento da operação
Antes de mexer em qualquer sistema, é preciso entender a realidade da operação:
Mapeie seus prestadores: Quantos TACs sua empresa contrata diretamente? Com qual frequência? Como são remunerados hoje? Há contratações por intermediários?
Mapeie os fluxos documentais: Como a documentação de cada viagem é gerada hoje? TMS, ERP, planilha, portal manual? Quem é responsável por emitir o MDF-e? Esse processo já está integrado?
Identifique os pontos de responsabilidade: Em cada tipo de operação, quem é o contratante do TAC — a sua empresa ou o cliente embarcador? A responsabilidade de emissão do CIOT muda conforme a resposta.
Etapa 2: Diagnóstico dos sistemas
Com o mapa da operação em mãos, avalie o gap tecnológico:
- Seu TMS/ERP possui módulo de CIOT? Está habilitado e configurado?
- A integração com o SIOP (sistema da ANTT) está funcional e homologada?
- O sistema consegue vincular automaticamente o número do CIOT ao MDF-e antes da partida?
- Há log auditável de cada operação (emissão, vinculação, pagamento)?
Se a resposta para qualquer uma dessas perguntas for "não" ou "não sei", há trabalho de sistema a ser feito antes que a adequação seja real.
Etapa 3: Adequação tecnológica
Dependendo do cenário encontrado, as ações variam:
Cenário A — TMS/ERP tem o módulo, mas não está configurado: o caminho mais rápido. Configuração, testes e integração com o SIOP costumam levar de 2 a 6 semanas, dependendo da complexidade.
Cenário B — Sistema não tem integração nativa com CIOT: a opção mais comum em empresas com ERP mais antigo. Há duas alternativas: contratar um módulo complementar do fornecedor do ERP, ou integrar via API diretamente com o SIOP. O tempo de projeto varia de 4 a 12 semanas.
Cenário C — Emissão totalmente manual, por portal web: o mais crítico. A emissão manual via portal SIOP não garante a vinculação eletrônica ao MDF-e. É preciso migrar para um processo automatizado antes da vigência da obrigação.
Etapa 4: Adequação contratual
Os contratos de prestação de serviço de transporte devem ser revisados para:
- Deixar explícito quem é responsável pela emissão do CIOT em cada tipo de operação
- Prever o fluxo de vale-pedágio antecipado (como é pago, quando, em que formato)
- Garantir que o valor do frete respeita o piso mínimo vigente
- Estabelecer responsabilidades em caso de infração regulatória
Embarcadores com os quais sua empresa tem contrato de longo prazo também podem precisar de aditivos para regular essas obrigações entre as partes.
Etapa 5: Treinamento da equipe operacional
A regulação mais bem configurada falha se a equipe não a conhece. As pessoas que emitem documentos de transporte, que contratam TACs e que fazem o fechamento financeiro de fretes precisam entender:
- O que é o CIOT e por que é obrigatório
- Qual o fluxo correto de emissão e vinculação
- Como funciona o vale-pedágio antecipado
- O que fazer quando um motorista não tem o CIOT emitido
Treinamentos pontuais não são suficientes — o conhecimento precisa estar nos processos e nos checklists da operação diária.
Etapa 6: Monitoramento contínuo
A conformidade não é um projeto com data de entrega — é uma operação contínua. É preciso ter:
- Indicadores de conformidade: percentual de operações com CIOT emitido e vinculado
- Alertas de vencimento: apólices de seguro, prazos de validade de credenciais
- Auditoria periódica: revisão amostral da documentação de transporte
- Canal de atualização regulatória: as normas mudam — alguém precisa acompanhar
A Planeti combina tecnologia e expertise regulatória para manter esse monitoramento ativo nos clientes com quem trabalhamos.
Quanto tempo leva?
Em operações de médio porte, com sistemas razoavelmente estruturados, a adequação completa leva de 8 a 16 semanas. Operações maiores ou com sistemas mais fragmentados podem exigir mais tempo.
O que não se pode fazer é esperar. A vigência das novas exigências está em curso, e a fiscalização já está ativa.
Precisa adequar sua operação e não sabe por onde começar? Fale com a Planeti.
